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Torso

Torso nasce do fim de uma jornada que deixou marcas, não apenas as físicas, mas também as emocionais. Cada fotografia é um fragmento desse percurso, um testemunho silencioso do que meu corpo carregou e, de certo modo, ainda carrega.

As cicatrizes que aparecem na pele são mais do que registros de um longo período de doença; são memórias impressas, traços de resistência e vulnerabilidade. Expor o corpo, assim, torna-se expor a história. Há sufocamento, há estranheza, há momentos em que existir pareceu pesado demais. Mas há também a coragem de revelar o que geralmente se esconde.

Neste ensaio, o torso é território e narrativa. É onde a dor se fez matéria e onde, agora, encontra espaço para respirar. Ao olhar para essas marcas, reencontro não apenas o que atravessou meu corpo, mas também o que transformou minha sensibilidade, meu modo de estar no mundo.

Torso é, enfim, a tentativa de transformar feridas em discurso, cicatrizes em memória, exposição em força. Uma conversa entre pele e história, e um convite para enxergar beleza mesmo naquilo que, um dia, foi ferida.